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Eu me contradigo? Pois bem, eu me contradigo. Sou vasto, contenho multidões. (W.Whitman)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Manhãzinha ainda, um sonho de cachoeira na mata
água caindo na pedra, e um poço enorme no fim da queda,
água corrente, vibrante sussurrar no silêncio da alvorada.
Eu desço o caminho e meus pés mergulham na margem,
sinto o frio que sobe pelos membros,
quase sinto seu frescor na pele do corpo.
Um trovão soando longínquo
e um dormitar que já não é rio,
não é mata, nem pés descalços na areia.
Desperto preguiçosamente,
alongando felinamente o corpo ainda deitado.
Depois caminho lentamente até a janela semiaberta
e recostado meio de lado
fico a olhar languidamente a cidade, 
melancólica paisagem silenciosa
por trás de uma cortina de chuva
espessa, morna e tremendamente calmante. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Passo meus dias numa paz que me assusta um pouco,
não tinha o hábito da sensação de cada coisa no seu devido lugar.
Tudo está correto,
tudo é encaixado no momento certo, de forma natural,
não me esforço muito para ver o bem estar que isso me provoca.
Lampejos de felicidade passam pelo meu peito e os apanho no ar,
me delicio com eles.
Olho os homens que passam em busca do dia que deve ser ganho,
mulheres se atirando na azáfama do cotidiano do lar,
cães que ladram no portão
quando o carteiro chega com novidades,
o ruído da panela no fogo e o cheiro que ela exala,
um cozido bom, 
o feijão temperado produzindo muita saliva na boca,
o leite quente adoçado com mel,
o café fumegante saindo na hora matinal,
o trabalho que começa a ser interessante
porque se aproxima do seu término,
a sensação da execução satisfatória agradando o cliente.
A segurança de estar em família, junto dos seus a trocar idéias sobre o que realmente interessa para o bem viver em conjunto,
todas as coisas sendo relevantes para o bem estar de todos.
O desejo de fazer o melhor
para que eu me veja sendo útil aos demais.
E essa paz que me coloca por cima do mundo,
eu, senhor dos meus passos olhando à frente no caminho,
olhar altivo, semblante seguro e senhor absoluto do meu destino.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Essência Sentimental, by Guga

Fragmento poético de minha alma
perdida na escuridão de lágrimas
pedindo seu amor que não me socorre
crescente solidão que me domina.
Esperança de um amor solitário
levando meus olhos para o nada
dissipada em pequenos fragmentos,
fragmento poético de minha alma.
Um dia talvez você apareça
pedindo meu amor guardado em meu peito
eu esperarei pacientemente
fragmento poético de minha alma.
Se você precisar estarei por perto
meu pensamento estará sempre em você
se você precisar estarei perto
minha mente andará sempre com você.
Meu coração e minha mente lhe esperam
seja feliz em toda sua caminhada
estando você junto de meu amor ou não
fragmento poético de minha alma.
Se você precisar estarei por perto
meu pensamento estará sempre em você
se você precisar estarei por perto
minha mente andará sempre com você.
...FRAGMENTO POÉTICO DE MINHA ALMA...

( Poema escrito por Gustavo Dutra, meu filho de 15 anos, como uma canção para sua banda “PSALM”, que está nascendo agora.)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Alter ego, leva-me daqui!
Leva-me às campinas floridas
onde o dente-de-leão dissolve-se no ar,
levado pela brisa
das manhãs ensolaradas de Setembro.
Deixa-me la, entre flores do campo,
da-me um cesto e um rústico chapéu de palha
e passarei o dia a colher um caleidoscopio de florzinhas
singelas, inocentes florzinhas
para minha amada, quando ela voltar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Enigma

Não te decifro, não sei quem és,
não vejo da tua face senão os receios infundados
que em mim criastes.
Quando te encaro indagador
vejo cavidades onde estariam teus olhos.
Me sento nu na tua presença
e apenas imagino a resposta sobre a tua existência.
O que és? Quem és? que se me apresenta assim
sem termo, sem definição…
indagadores...
meus olhos perscrutam o negrume que vejo à frente.
Nem um sinal, nenhuma reação que leve ao segredo,
ao todo que apenas vislumbro.
Meu coração se encolhe num lastimar terrível de solidão e medo,
e o silencio me envolve na noite passada na angustia.
Virá a manhã novamente me despertar dos pesares?
Serei eu mais uma vez, eu ao nascer do dia?
Ou devorado pelo teu silencio e para sempre extinto
no esquecimento...?

domingo, 6 de setembro de 2009


Quanto vale um homem?
Qual o preço da integridade,
da autenticidade do carater?
Qual o preço a receber pela honestidade,
a sinceridade no falar,
a firmeza ao olhar sem receio
nos olhos do interlocutor?
Quanto devo pagar pela confiança,
essa jóia rara e delicada e frágil
dedicada à pessoa em tempo integral?
Qual o preço do amor? O amor dedicado, alegre, juvenil, altruísta e são.
Qual o preço da amizade real?
Do abraço amigo e inesperado em horas de solidão?
Quanto devo pagar por isso?
Quanto me cobrariam os traidores para me dar isso que busco com afinco?
Minha moeda é o mesmo que ofereço. Não há valor mensurável maior
e minha oferta é muitas vezes recusada.
Mas não tenho mais que isso a dar em troca
e como Diógenes, ando pelo dia, lanterna em punho
à cata de personalidades oníricas em extinção.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Tenho saudades do tempo das verdades,
quando eu te via querida amante, linda nos meus sonhos,

amada dos momentos tão cheios de carinho,
tão casta, tão divina, deusa em altares de adoração,
querida volúpia em desejos inconspícuos,
infindaveis horas a trocar caricias sonoras no espaço.

Falar é pouco e é tudo,
sonhar com teu corpo

e quase tudo em silencio emotivo

sentir teu desejo, e transplantar o meu em teu corpo

sendo a distancia improvável, presença clara e sensível

meus nervos e pele se desfazendo,
minha mente,
meus orgãos vitais
se diluindo em florações de absoluto êxtase
e meu choro desmedido, meu eu sofrido, meu ar de graça
meu corpo, todo ele em paz e feliz, saciado

tenho saudades do tempo das nossas verdades

que belas, que lindas, que tão divinas, tão simples e reais.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ando por minha rua num dia comum e divago um pouco.
O vizinho sorri cordato,mas sei que ele não sabe de mim,
não conhece meus dissabores nem minhas conquistas,
ou minhas visões de profeta amador.
A mulher na janela não crê numa palavra que digo
e mesmo assim sorri numa cumplicidade inócua.
Minha vida passa pelas vidas deles sem marcas
e saberão um dia que fui
cidadão das sete horas da noite e das madrugadas insones,
das manhãs lavando a calçada ou molhando as plantas no jardim,
dos domingos de pijama largo, olhando a rua sem movimento.
Mas eu, olhando suas vidas sem que o percebam,
vejo que eles me marcam de forma indelével
com seus amores perdidos ou esquecidos por vergonha ou tédio,
seus sonhos descritos em falsos regozijos no portão na tarde de sábado,
e os amo, reconheço-os em mim mesmo
e sem que o saibam, recolho-os ao meu peito e os admiro pelo que são.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Meus sonhos são tudo que tenho,
são o liame que me atém à vida
e sem eles seria vazio, estéril semente sem solo,
desértica imensidão de atos sem razão,

palavras mortas ou mal nascidas se
m raiz.

Virginia Pinhão

Em meus sonhos eu vejo a mulher ao meu lado
e vindo a noite eu me faço senhor das promessas
e a desnudo em meus braços, branca e suave,
deleite de corpos, união de pensamentos e atos,
um querer sem fim, insaciável ânsia de ser tudo,
sempre inacabada, infinita procura da plenitude no caos.
A busca frenética da infinita bondade
a entrega nas mãos que domam e amam a um só tempo
o volver ao seio da maternidade incestuosa
e uma arrebatadora agonia me perpassando os sentidos
numa corrida louca de miríades de fótons enlouquecidos.

Meu dia ideal

Ter você coladinha em mim e falar com vagar de coisas que só o coração compreende.
Sorrir com brilho nos olhos e o sorriso bastar, sem necessidade de palavras.
Ficar assim em silencio, abraçadinho a você por um tempo e depois,..
depois agir como se nada tivesse acontecido, o coração pleno,
preenchido até a borda,
de uma alegria secreta que outras pessoas não poderiam compreender.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Passadas as horas, vão-se dias brancos
e o tempo é um circulo que se repete, repete...
Eu me perco andando à volta
onde tudo é secura e fome não saciada.
Vasculho meus alforjes à cata de sobejos
e nem uma gota de verso que se extraia do nada.
 ojo a lapiz cópia
Meus olhos atentos, ouvidos atentos, coração atento
esperam ...quem quer que venha na chuva
mas a chuva... não chove, quanto tempo se foi?
O tempo não se conta mais,
perde-se a noção das horas,
como num exílio,
exilado da luz
e no entanto... eu a vejo e não a sinto.
Umbral que não transponho,
onde me sento quieto e apenas olho, observo
à espera...

domingo, 16 de agosto de 2009

Ando absorto entre os homens sem alma e observo seus atos,
entre a incompreensão e a surpresa os observo.
Vejo sorrisos tão belos quanto insensíveis e frios olhos implacáveis
sobre um coração que palpita em constante e monótono pulsar
de relógio mecânico.
Não deveria surpreender-me, e contudo sempre me surpreendo
.



sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Me vem uma hora em que penso
pensar muito faz mal
pensar muito esgota minha estrutura já tão frágil
pensar muito me coíbe certas coisas que amo
quero ser inconsequente
quero comer banana muito madura e ingerir algumas bactérias
quero andar sob o sol escaldante sem medo do câncer de pele
quero beber uma cerveja ingrata que vai me dar barriga
e talvez uma dor de cabeça
quero comer fora de hora, quero sexo sem medo, na hora!
quero não pensar no celular que me agride a todo momento
que intromissão!
não quero pensar, pensar muito me cansa, e essas publicidades
que me apontam tudo que é bom pra mim, apartai-vos de mim!
quero andar descalço, quero sentir a terra sob meus pés
quero não comer de manhã
eu como antes de deitar, ou na hora que me apraz
faço xixi de pé e sinto o tremor quando acabo
me da prazer
não quero ninguém me ensinando a pensar
pensar muito faz mal
pensar muito me inibe, não amo
para amar é preciso não pensar
não, não quero pensar!
quero amar!



terça-feira, 11 de agosto de 2009

O ciúme

Veio o assassino
noite adentro
matar os meus filhos.
Nada posso contra ele
e me afasto em silêncio.

Nenhum traço de lucidez no maior dos rancores
nenhum laivo de dor
também nenhuma compaixão.
Minhas perdas congelam meu sangue no olho
e esse ódio que grita dentro de mim
e tenta se livrar a si mesmo,
que ódio é prisão, ciúme é prisão, posse é prisão
querer possuir é prisão.

Não morro no primeiro golpe mas enfraqueço meus membros
talvez eu não sobreviva na primeira noite
ou nem queira saber depois e siga indiferente um caminho já conhecido
mas a luta é inútil, e se me debato é em vão.
Não posso vencer, não há vencedor
só perdas e dores vindas do nada, e sinto uma fadiga imensa nessa hora.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Hiroshima 8:15


Oh! Hiroshima, Hiroshima!
Por que te esquecestes de mim?
Eu pairava sobre teu povo e dormitava em suas esteiras
ao raiar do sol das 8 e 15, aquele dia.
Me surpreendo ainda olhando no passado
eu estava no berço e chorava pelo seio materno,
onde minha mãe? onde? onde os braços protetores?
Onde os homens que usurparam minhas asas
para com outras
metálicas, de duro brilho sobre meus ombros
duros algozes,
virem queimar minha relva no meu jardim
e trucidar minhas papoulas inocentes e úmidas no amanhecer?
Venham homens do poente com vossos encouraçados estúpidos
quero ofertar-lhes o meu perdão!
Oh! Hiroshima! Hiroshima!
Lembra-te de mim ainda!
Lembra-te de mim em todas as pedras calcinadas de teus prédios
de teus muros, da cada calçada
onde ouviram apressados e sem rumo
meus passos
naquele dia.
Lembra-te de mim que ainda procuro aqui o meu jazigo,
meu leito que não me destes, porque ainda vivo eu em ti.