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Eu me contradigo? Pois bem, eu me contradigo. Sou vasto, contenho multidões. (W.Whitman)
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sexta-feira, 24 de abril de 2009


Há sempre uma severa melancolia permeando a alma de um poeta. São lembranças que vem de outra esfera e trazem consigo sentimentos diáfanos, como uma saudade imprecisa de algo que se viveu, mas que não se sabe onde nem quando.É como se tivesse em certo momento desenvolvido uma amnésia parcial que deixasse apenas as sensações de fatos vivenciados em outra época.
Mesmo quando fala do momento presente o poeta incorpora experiências passadas, ilusórias ou não. Se fala de momentos já vividos, por certo terão sido bons para deixar assim sua marca na alma e no inconsciente.
E se nada disso se passou de verdade num tempo anterior e indefinido; de onde então parte essa melancolia que nos faz parar no meio do dia, o olhar perdido no infinito a buscar pela definição de uma sensação, pela emoção de uma frase reveladora que ilustrasse a descoberta em um átomo de tempo, de uma fagulha de sentimento puro e cristalino que na maior parte das vezes nos escapa?
Pois, o que o poeta faz, nada mais é que captar, numa ínfima parcela de tempo, o instante fugaz da revelação, partindo de sua alma, de sublime amor pela vida.

sexta-feira, 27 de março de 2009


Cai a primeira chuva do outono!
densa, fria e constante
lavando o mundo dos excessos do verão.
Ah, meu coração! como seria bom
se fosse assim com nossas almas
onde uma chuva densa e pesada
sem relampagos ou trovoadas
silenciosa
como um choro de desabafo,
desabasse sobre nossas mágoas
nossos pequenos dissabores
levando-os numa enxurrada
pra longe
e os lançasse num rio caudaloso
onde se diluissem por todo o sempre!

sábado, 21 de março de 2009


A linguagem simples do coração,
assim expressa,
num átimo,

num lampejo de olhares,
traduz empatia, compaixão,
entendimento que aflora
no alvorecer da existência.

ao entardecer já nos fechamos,
e foi há tempos,
embrutecidos
e sós.