E as guerras passaram.
A tormenta se foi, perdendo-se no horizonte,
sublimada em névoa de garoa fina.
Um silêncio me envolve indagador nessa tarde de poente,
quando raios dourados ainda fazem longas sombras nas árvores
e uma paz estranha me deixa incomodado.
Vejo os pardais a brincar na folhagem, vida renovada.
E esse medo de perder tudo, esse momento precioso
me faz quieto, em silêncio reverente.
Sentado num banco de pedra de jardim público
olhando as pessoas que passam, levando batalhas nos bolsos,
me admiro delas e de mim mesmo que já fui assim.
Olho à minha volta e respiro fundo,
me levanto e em passos lentos
caminho em linha reta, em direção aos meus dias seguros.
E logo estarei em casa para uma sopa fumegante de aspargos.
- Flavio Dutra
- Eu me contradigo? Pois bem, eu me contradigo. Sou vasto, contenho multidões. (W.Whitman)
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
me cansei de todo verso inútil.
Estou aqui sentado à espera do momento
em que deveria apagar todas as reminiscências,
todas as dores; que o poeta vive delas todas
oriundas de fatos ou não, criadas por vezes
na sua imaginação fértil, e mesmo assim vividas em plenitude.
Mas me cansei.
Estou para ser materialmente prático
egoísta, e estipular metas de vida.
Sem sonhos, sem ilusões, sem amores falsos,
e nenhum transtorno se ela não me responder amanhã.
Estou pronto, uma arma na mão
uma corda pendurada no teto
e o fim que se avizinha.
E no entanto
a coragem se esvai na primeira inspiração.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Quotidien
La vie...
les jours qui passent
les heures qui coulent,
la soif...
un baiser que je ne peux plus
un sourire que je ne vois plus
une caresse que je n'aurai plus
une vie
qui me le répète à tout instant,
arrête!
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Saudade
um rosto, uma fala, um acontecimento que se apagou...
domingo, 10 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Noites mornas.
O silêncio que me incomoda agora
em contraste ao silêncio de outrora
onde duas estrelas transbordavam de energia.
Sinto frio nas noites de verão,
e o outro silêncio, que silêncio!
transbordava de vida, de luz, de calor
e tudo era caminho, viagem, erva renascendo no jardim
e corações criadores de estrelas
em silêncio!
Triste
Queria saber, ah! como queria saber
o porquê de silêncios tão marcantes
de olhares mudos que falam à alma,
de sentires sem toque, palavras que acariciam.
Almas que se beijam no pensar uníssono,
encontros improváveis nos sonhos de noites quietas,
e do amor pairando acima de tudo,
deixando da vida o duro labor diário
lirismo, viagem onírica
mundo que desmorona ao primeiro raiar do sol.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Um minuto a meio da tarde.
Um piano ao crepúsculo.
domingo, 6 de dezembro de 2009
chuva fina que rola na calçada,
chuva fina e fria que vem do céu imenso e cinza.
Oh! chuva fina e fria que cai como um véu sobre mim
quando tento fugir caminho afora, do que sou hoje.
Chuva fina e fria que me fere, me oprime,
chuva fina que deita lembranças em minh'alma.
Oh! chuva, chuva insistente e triste,
o que queres me dizer com teus fios de seda
dissolvendo-se em meus cabelos caídos
sobre meus olhos úmidos, em disfarçada saudade?
Conta me dela ao menos,
diga-me onde anda,
em que caminhos vagueia sob tua insinuante teia,
conta me dela ao menos, se abriga-se sob um telheiro seguro
ou como eu percorre ainda uma estrada infinita,
nós dois perdidos,
eternamente desencontrados e sós.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
pois amo a vida e sei que ela me protege, sou seu filho.
Nenhum receio nas horas mais difíceis, pois sei
o caminho mais íngreme leva ao topo da montanha
de onde descortina-se a beleza do vale
e quem sabe, o mais puro pôr-do -sol.
Nessas horas eu me aquieto,
sento e espero a passagem do tempo
e deixo vergastar-me o rosto a fúria das tempestades.
Sempre virá o dia depois, num circulo eterno
de retorno, retorno, retorno
e nesse movimento estarei de volta aos dias de sol,
aos momentos de adoração ao amanhecer
quando cantarei a plenos pulmões minha alegria para o mundo
ou simplesmente usarei algumas horas
assobiando uma cantiga de amor
com um lindo sorriso maroto iluminando meus olhos.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009

sendo grande demais essa distancia.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
No ar silencioso e parado, nenhum movimento
que alivie o ardor da pele.
Passam minutos infindos e letárgicos
sobre o corpo nu colado aos lençois de seda.
Em um momento vem o ruir de castelo de cartas,
deixando à mostra imagens antigas na parede.
E no ar parado, na fornalha úmida do quarto
um quadro oscila
num vai-e-vem de desejo e repulsa
meneando a cabeça de lado a lado,
numa negação.