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Eu me contradigo? Pois bem, eu me contradigo. Sou vasto, contenho multidões. (W.Whitman)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Que ares, menina!

Menina, quem ares
travessos te deu,
que me trazem assim a saudade,
de um tempo de crença
de brilho
de paz?
Corria menina
por várzeas e trilhas
saltava o riacho, varava o caminho
na face, um fogo
nos olhos, urgência
um amor que virá!
Menina, que ares travessos
que ares travessos!
e meu coração lá ficou
no caminho, parado
no tempo
que bobo..! ficou.

Desencanto

De fina, etérea, infinita
névoa
se fez o meu ser.
Em pouco tempo serei talvez
um ponto
uma gota, talvez
rubra lágrima caindo com espalhafato
na página branca
mas hoje porém, sou o nada
branco mesclado ao branco.
Inútil insistir.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Inalcançável.

Não sei o que se passa comigo. Estou estranho, meio no ar, triste, sem chão. Quando era criança tive uma febre de uma semana da qual saí muito debilitado. Meus pensamentos pareciam ser de outro. Eles vinham e iam em ondas e era como se eu assistisse tudo à distancia. Tentava sair para brincar e só conseguia ouvir os gritos dos amigos como se fosse de dentro de uma bolha. É a sensação que tenho hoje. Tudo começou depois que olhei pra você. É mais do que esperava. Fiquei chocado. Por quê? Me senti um animal solitário na imensidão da estepe do Cazaquistão numa noite de lua cheia. Uma lua brilhante, de prata, linda, perfeita num céu estrelado, e torturantemente próxima. No meu desejo de tocá-la, no desvario da certeza do impossível só poderia uivar, e se possível fosse, uivar até que minhas forças se esgotassem e eu caísse morto. A figura é exagerada mas é a verdade. Gostaria de saber o que está no fundo, coberto pela calmaria da superfície. Você é um mistério. Poucas pessoas te conhecem de verdade. Pois você é de uma complexidade à prova de qualquer exame superficial. Está só. Como todos os solitários sonha com aquela pessoa que está em algum lugar e que ainda não chegou. Porque é da natureza humana não ser sozinho. Só te falta amor. Amor verdadeiro, sublime, abnegado.
E como eu gostaria de te dar tudo isso! Estar na tua presença como a peça que faltava para completar esse complexo quebra-cabeças que é você.
Mas para o lobo, a lua é inalcançável.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Todas as manhãs eu perco um minuto a mais de caminho
a esperança personificada passando pela rua
a sentir, mesmo a certa distancia
nas paredes lisas e indiferentes, 
nas cortinas por trás do vidro da janela, 
no arbusto que cresce no jardim defronte ao teu quarto
a tua presença no mundo que te rodeia.
Percebo teu olhar nos meus ombros 
lançando dardos pela fresta da cortina.
Não  olho, ou apenas olho de soslaio
e sigo em frente, coração aos pulos, desejoso, sonhador
em passos lentos me distancio
esperando, esperando...
que tua voz, num desses dias de céu azul e sol dourado
num timbre cristalino, altissonante
grite enfim o meu nome.

sábado, 25 de dezembro de 2010

E sempre, sempre
nessas horas de festejos dos inquietos,
me recolhendo a um canto e alheio a tudo
me deixo levar pela lembrança 
e essa saudade inevitável
que me acaricia a alma com suas mãos de veludo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Meus beijos agora voam perdidos
numa vã tentativa de alcançar a boca rubra
onde teu sorriso cria luzes do amanhecer.
Meus sonhos voam com eles nesse desejo
que maltrata minha carne
deixando uma dor que me tortura tanto...
Em noites abafadas de lençóis úmidos e pranto contido,
angustiado me reviro no leito
e minhas mãos buscam a pele quente
do teu seio...
mas em meio ao silêncio e a escuridão da noite sem lua
meus lábios sedentos apenas sussurram teu nome...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fui eu assim, feliz infeliz
ao vicejar dos meus dias no improvável.
E que dor aquela
quando a realidade mascarada mostrou sua face.
Era um  esmagar, uma mossa no peito
uma roxidão de manhã seguinte à contenda sem nexo
um embriagar-se de todas as bebidas malévolas
um querer silêncio e querer gritar
um andar sem rumo a ter os pés judiados
e o olhar vítreo em ponto algum além d’uma ferida interna
e um  sentir-se só, sem norte, sem morte, sem lenitivo algum
andar nas sombras carregando as pupilas inchadas e vermelhas
a querer que a noite  perdure em suas trevas
a desejar o sono a envolver-me, sem volta
no esquecimento.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Frente ao teu silêncio
eloquente demais
abrangente demais
contundente demais
meu coração se encolhe
oprimido
emite um som comprimido
fechado num canto
sem luz
calado, com frio
a  falta do ar
abrindo a garganta
ahhh...respirar...!!!

sábado, 25 de setembro de 2010

E a busca prossegue...
pelo caminho, sorrisos e promessas
e fantasmas que se vestem de realidade.
Sorrisos e lágrimas inúteis preenchem meu caminho;
nada me dizem, afinal
entre a multidão que me atravanca os passos,
aquela que busco ainda me parece perdida.
Saberá ela que busco? que não desisti  do encontro?
E sentando-me para um descanso
da azáfama do dia
me lembro dos seus olhos profundos como o mar
num dia de calmaria
e minha esperança se renova
meu coração se inflama num respirar profundo
e prossigo, olhando, olhando...
sobre todas as cabeças, todas as mentes mentirosas.
E a busca prossegue...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

kevincooley8Ela estava sentada ali havia horas, o livro no colo, concentrada demais na leitura, os cabelos caindo sobre o rosto. Mal percebeu quando entrei e me sentei na poltrona, no canto mais afastado. Depois de um interminável minuto de silencio levantei-me  e caminhei pela sala sem vontade. O crepitar do fogo na lareira tinha um som distante e já não familiar. Parei na janela olhando a cidade e as árvores cujas folhas eram agitadas pelo vento úmido de julho.A vida seguia seu curso indiferente às pequenas e insatisfeitas vontades que surgiam, morriam e renasciam num pequeno bangalô de subúrbio.
Voltei-me olhando com insistência seu perfil sério e distante. Aproximei-me delicadamente sentando-me o mais próximo que me permitiu o temor de entrar no seu silencio. Depois de um momento olhando calado, afastei com cuidado uma mecha de cabelos e beijei seu rosto. Me olhou de relance com um olhar vago e um sorriso que apenas passeou pelos lábios. Seus olhos voltaram ao livro e eu fiquei ali, o tempo suficiente para que a dor aguda que inflou meu peito amainasse. Depois, silenciosamente levantei-me, abri a porta e sai. Na rua o vento soprava , frio e úmido, eternamente.

domingo, 5 de setembro de 2010

Minha vida é um livro
fechado
repleto de ensinamentos herméticos
e dádivas para quem ali se aventura.
Poucos passaram da introdução,
muitos foram além
mas não abriram o capítulo do coração.
Ali ha uma chave, um segredo criptografado.
E eu aqui sentado, de frente para você
ansioso por ter-te guardada aqui, no meu intimo
te ofereço todas as chaves, todas as senhas
para que o abra,
e conheça o mais importante de mim
e quem sabe talvez, é minha esperança, 
você se deslumbre com o que descobrir.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ouvindo um canto medieval que me vai aquecendo o coração
enquanto me sento serenamente, olhando o sol
atravez de uma nuvem de aço,
me aconchego nos acordes sonoros que vêm da sala.
Enquanto isso
uma saudade enorme, tão intensa! quase insuportável...
leva meu olhar a vagar pelo crepúsculo
numa busca inútil de algo que foi
e nunca mais será novamente!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Segue-me como sombra, na memoria, no coração.
Persegue-me em sonhos no calor das horas
pelas tardes embotadas de agosto.
Me apego numa lembrança; ela nada sabe
dessa saudade que me destroça ao fim do dia.
E a onda de perfume que ela leva nos cabelos
e meus olhos faiscantes ao lembrar seu nome
e esse medo de morrer sem que lhe traga um dia
numa dessas manhãs de relva orvalhada,
ou quem sabe, depois
d'uma chuva repentina e trovoadas
e todo aquele aroma de terra molhada,
meu coração nas mãos, inteiro, febril, generoso e brando.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Hiroshima 8:15


Agnelo Quelhas
Oh! Hiroshima, Hiroshima!
Por que te esquecestes de mim?
Eu pairava sobre teu povo e dormitava em suas esteiras
ao raiar do sol das 8 e 15, aquele dia.
Me surpreendo ainda olhando no passado:
eu estava no berço e chorava pelo seio materno,
onde minha mãe? onde? onde os braços protetores?
Onde os homens que usurparam minhas asas
para com outras
metálicas, de duro brilho sobre meus ombros
duros algozes,
virem queimar minha relva no meu jardim
e trucidar minhas papoulas inocentes e úmidas no amanhecer?
Venham homens do poente com vossos encouraçados estúpidos
quero ofertar-lhes o meu perdão!
Oh! Hiroshima! Hiroshima!
Lembra-te de mim ainda!
Lembra-te de mim em todas as pedras calcinadas de teus prédios
de teus muros, da cada calçada
onde ouviram apressados e sem rumo
meus passos
naquele dia.
Lembra-te de mim que ainda procuro aqui o meu jazigo,
meu leito que não me destes, porque ainda vivo eu em ti.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

kevincooley7

Andei por caminhos que não quis
levado pelo desejo do esquecimento.
Andei por lugares que não vi
em noites perdidas
em braços distantes
e palavras de pó.
Andei por ai...
querendo em verdade
apenas voltar pra ti.