ou melancólico por uma ausência de quem nunca esteve.
Nem chega a ser uma perda pois se nada perdi.
essa dor indefinida que me pressiona
nas manhãs de primavera ao despertar dos pardais
sob uma intempestiva chuva de verão.
Eu hoje uso meu blog para ler outros blogs de que gosto ou que me interessam por um motivo ou outro.
Tenho uma seca terrível no coração, nenhuma fonte que jorre alegria, nenhuma canção em cascata rolando na pedra.
Vivo meu mundo ôco onde meus sonhos reverberam como nas paredes de uma caverna imensa.
Não sorrio. E se sorrio, é amarelo. Como o enxofre impregnado nessas paredes de tédio .
E as guerras passaram.
A tormenta se foi, perdendo-se no horizonte,
sublimada em névoa de garoa fina.
Um silêncio me envolve indagador nessa tarde de poente,
quando raios dourados ainda fazem longas sombras nas árvores
e uma paz estranha me deixa incomodado.
Vejo os pardais a brincar na folhagem, vida renovada.
E esse medo de perder tudo, esse momento precioso
me faz quieto, em silêncio reverente.
Sentado num banco de pedra de jardim público
olhando as pessoas que passam, levando batalhas nos bolsos,
me admiro delas e de mim mesmo que já fui assim.
Olho à minha volta e respiro fundo,
me levanto e em passos lentos
caminho em linha reta, em direção aos meus dias seguros.
E logo estarei em casa para uma sopa fumegante de aspargos.
La vie...
les jours qui passent
les heures qui coulent,
la soif...
un baiser que je ne peux plus
un sourire que je ne vois plus
une caresse que je n'aurai plus
une vie
qui me le répète à tout instant,
arrête!