Minha foto
Eu me contradigo? Pois bem, eu me contradigo. Sou vasto, contenho multidões. (W.Whitman)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Não é querer ser triste
ou melancólico por uma ausência de quem nunca esteve.
Não é um lamento pelo amor que não vivi
ou pelo amor perdido na madrugada de lua cheia do verão passado.
Nem chega a ser uma perda pois se nada perdi.
É algo mais, isso que me aflige,
essa dor indefinida que me pressiona
nas manhãs de primavera ao despertar dos pardais
nas paineiras da praça do lugarejo onde vivo.
É algo que virá, ou mesmo que espero há muitíssimo,
seja!
mas que fará meu coração saltar, como criança
em riso cristalino lançado aos ares
sob uma intempestiva chuva de verão.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A alegria de uma manhã ao nascer do sol,
como num amanhecer de domingo,
tendo o coração jubiloso de amor.
Amando então..
."cheia de luz no olhar, misturei-me na cidade..."
com   aquela vontade irreprimível de compartilhar o que sentia.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Tenho medo de dar o primeiro passo.
Mas não há outra opção possível.
Tenho que me arriscar,
como num caminhar à beira de um abismo
no alto de um penhasco.
Um passo em falso e vou me espalhar no fundo de pedras.
Deve ser mais dolorido o tempo da queda
que o atingir o chão lá no fundo,
bater meu corpo nas rochas rudes, irregulares, cruéis.
Mas tenho que dar um passo, e se nada acontecer,
um outro e mais outro.
Estar vivo é cruel, andar pelo mundo é cruel e irracional.
E qual a vantagem disso tudo se lá no fim,
talvez no meio do caminho,
a morte inexorável me surpreenderá?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Primavera...na tua varanda, na tua janela!
Enquanto que eu aqui recomeço a me aquecer os ossos
no ar gélido do ainda incipiente inverno.

sábado, 26 de junho de 2010

Meu coração parou no tempo
quando havia o zumbido festivo das abelhas
em flores de Jabuticabeira no inicio da primavera.
O tempo seguiu seu curso como um rio lento
cheio de curvas e remansos.
Meu coração, parado na margem a tudo via passar
como longa película de cinema; longa, enfadonha e estafante.
E levando sempre meu corpo em mutação
seguia o rio apartando de mim em corredeiras imprevistas,
ilusões e alguns sonhos pueris.
Desgastado pela corrosão do tempo,
sentindo a proximidade do estuário da vida,
meu corpo pede que não siga mais sozinho.
Então silenciosamente suplica ao coração juvenil,
vem! sublime sonhador. Envelheça comigo!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Eu hoje uso meu blog para ler outros blogs de que gosto ou que me interessam por um motivo ou outro.

Tenho uma seca terrível no coração, nenhuma fonte que jorre alegria, nenhuma canção em cascata rolando na pedra.

Vivo meu mundo ôco onde meus sonhos reverberam como nas paredes de uma caverna imensa.

Não sorrio. E se sorrio, é amarelo. Como o enxofre impregnado nessas paredes de tédio .

terça-feira, 18 de maio de 2010

Brincavam de fotografar, depois de um dia de passeios, conversas sem começo nem fim, chocolate quente, pois estava frio, ela não quis, ele tomou sozinho, voltas pela cidade, falando de tudo e de nada, num afã de aproveitar cada minuto que escoava em direção a uma distancia que viria logo depois, a encobrir aqueles dias amenos, de uma paz que já se tornava saudade. Ele quis apoiar a câmera numa mureta para registrar um momento dos dois abraçados, não encontrando alguém que o pudesse fazer por eles àquela hora no jardim. Num descuido, na pressa, a câmera no automático, a alça se prendeu no dedo da mão que a posicionava e, ao retirar o braço, levou-a a tombar no gramado, sem danos, mas o suficiente para uma repreensão irada, mais pelo susto que pela possível perda do objeto. Ele riu, se desculpou, e recolocando a câmera, fez a foto, sem graça, perdida a magia do momento. Ela entrou, ainda ralhando, e ele, recolhendo a câmera, logo a seguiu.
Já na sala, ao lado do piano, ela o esperava com um olhar velado de culpa.
- "Eu só brigo com você, né?" foi tudo que conseguiu dizer, a voz sentida, embargada na garganta.
Ele apenas riu, abraçou-a e beijou-lhe o rosto num gesto de afeto, depois passou a mão pelos seus cabelos e ficou ali, a olha-la nos olhos, um sorriso brincando na face.
Seria um acontecimento banal, não fosse o destino que os separaria pouco depois.
E aquele momento ficaria para ser lembrado, sempre que o dia se tornasse nublado e frio, e as noites se tornassem silenciosas na melancolia do outono.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Minha liberdade às vezes incomoda.
O pairar nas alturas como uma águia me deixa com mêdo do abismo.
Preferiria alguma corrente que me atasse à terra
onde certamente me sentiria mais seguro.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Minha vida minha vida
que faço eu de tí?
Ficar não posso que assim me mato
Partir não sei que onde ir não tenho
Sem alento me sento e ponho no CDplayer uma cantata de
Bach

momento sublime outro mundo me envolvendo
fuga da realidade fuga...
e enquanto meu espírito levita na sonoridade da sala
busco meu controle na ilusão de ser eu pacífico e lúcido.

sábado, 10 de abril de 2010

53
Veio então o tempo de falar de netos,
e me rio de tudo, da ironia instalada em minha vida.
A memória me traz apenas lembranças felizes
e desejo retornar ao tempo de ouvir Bob Dylan no gravador.
Trinta, quarenta anos se resumem numa semana,
onde foi o tempo?
Meu desejo ainda vivo reclama a mulher que não veio
e meus olhos passeiam pela paisagem entardecendo
quando uma vaga tristeza perpassa meus sentimentos
ao sentir que a hora da partida se aproxima.

domingo, 14 de março de 2010

Não quero visitas,
não quero minha casa cheia de amigos,
palavras soltas aos borbotões em sonoridades hilárias.
Se dissesse que quero ficar sozinho seria mentira,
pois queria mesmo era uma presença, única, plena,
uma voz!
que me enchesse de júbilo com seu timbre ímpar.
E que me sussurrasse uma musica linda
num repertório de palavras banais
completamente sem sentido para minha razão.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Tracy Raver

E as guerras passaram.
A tormenta se foi, perdendo-se no horizonte,
sublimada em névoa de garoa fina.
Um silêncio me envolve indagador nessa tarde de poente,
quando raios dourados ainda fazem longas sombras nas árvores
e uma paz estranha me deixa incomodado.
Vejo os pardais a brincar na folhagem, vida renovada.
E esse medo de perder tudo, esse momento precioso
me faz quieto, em silêncio reverente.
Sentado num banco de pedra de jardim público
olhando as pessoas que passam, levando batalhas nos bolsos,
me admiro delas e de mim mesmo que já fui assim.
Olho à minha volta e respiro fundo,
me levanto e em passos lentos
caminho em linha reta, em direção aos meus dias seguros.
E logo estarei em casa para uma sopa fumegante de aspargos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Me cansei de poesia
me cansei de todo verso inútil.
Estou aqui sentado à espera do momento
em que deveria apagar todas as reminiscências,
todas as dores; que o poeta vive delas todas
oriundas de fatos ou não, criadas por vezes
na sua imaginação fértil, e mesmo assim vividas em plenitude.
Mas me cansei.
Estou para ser materialmente prático
egoísta, e estipular metas de vida.
Sem sonhos, sem ilusões, sem amores falsos,
e nenhum transtorno se ela não me responder amanhã.
Estou pronto, uma arma na mão
uma corda pendurada no teto
e o fim que se avizinha.
E no entanto
a coragem se esvai na primeira inspiração.
Saudade sem tempo,
sem direito à lembrança.
Saudade de um dia de frio intenso,
do salmão desandado no almoço de domingo,
desagrado passável, risível em cumplicidade.
O pinhão saboroso na sala
em frente à televisão,
o acidente da câmera, caindo sem cuidado
no gramado do jardim na hora da foto.
Saudade do Matignon
em noite de lua e vento frio,
o passeio no parque,
o passeio na cidade em tarde banal,
tarde de televisão, olhando fotos no computador.
Café da manhã com mel e vinho seco na mesa.
Calma de horas sem porvir
e nenhum tempo para Ser...
Oh! que pena! sem tempo de Ser!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Quotidien

fotos-mulheres-Jan-Scholz-09

La vie...
les jours qui passent
les heures qui coulent,
la soif...
un baiser que je ne peux plus
un sourire que je ne vois plus
une caresse que je n'aurai plus
une vie
qui me le répète à tout instant,
arrête!