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Fica comigo este dia e esta noite e será tua a origem de todos os poemas. (W. Whitman)

quarta-feira, 14 de março de 2012

O dia começou bem estranho. Algo me incomodava desde os primeiros minutos logo após o despertar. Conheço bem essa sensação. É quando meu corpo me diz que vou me arrastar pelo dia como um molusco, um caramujo ou simplesmente uma lesma em todos os sentidos pejorativos.
E mesmo que tome três cafés sem açúcar na parte da manhã isso não ajuda, até me deixa mais ansioso em tudo que faço. Deito alguns palavrões boca a fora quando não acerto um detalhe no que estou fazendo ou quando o site requerido demora a carregar. E assim a tensão vai aumentando no decorrer do tempo. Quase expludo no meio do dia e fecho tudo para me recolher numa introspecção à hora do almoço. Almoço é modo de falar pois não há almoço propriamente dito. O estômago não resiste a mais que uma fatia de pão com gergelim. Ou uma colher de mel. Volto logo depois aos afazeres que o dia exige mas, ao meio da tarde preciso parar novamente. Uma angústia me domina e preciso pensar. No entanto não penso. Somente sinto. Fecho tudo de novo e me recolho à cozinha numa urgência de fazer um lanche. Hora do café da tarde! Vamos lá.
Ponho a frigideira no fogo, quebro um ovo no óleo quente e observo todo o processo cuidando muito para não quebrar a gema. Coloco duas fatias de pão integral no prato e, quando no ponto, deito o ovo por cima. Apenas isso, sem me esquecer de alguma pitada de sal.
Me sento então e cortando tudo em fatias, pensativo, aquela angústia volta com toda sua crueza e declara seus porquês. Penso enfim com saudade. Uma saudade antiga. Uma saudade de eras. Uma saudade cuja idade se perde no principio dos tempos, me parece.
Enquanto como meu lanche, lágrimas sinceras correm pela face, se misturam no pão e temperam com um sabor de jiló o que antes era mais um hábito insôsso. Penso comigo, se alguem me visse agora seria realmente cômico. Daríamos boas risadas dessa situação.
Pego a toalha de papel e seco meu rosto, meus lábios e por fim assôo o nariz. Choro sem razão, me digo. Por fim numa reação de revolta meu nariz se irrita e espirro. Duas, três vezes. Termino meu lanche e vou ao banheiro lavar o rosto.
Ainda tenho uma boa parte do dia para aguentar.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O que fazer se havia entre nós meio século de silêncio e medo
e grilhões que não se quebram num único alvorecer?
Sinto pena de mim, se a mandei embora por um receio infundado
de perdê-la.
Ela partiu e ainda no caminho, um olhar sobre meu rosto
num pedido mudo de perdão; perdoar?
o quê? Deus meu!
e quando desapareceu nas brumas da memória
fiquei ali, parvo olhar vagando no infinito
com meio século de medo,
a dilacerar-me os ombros.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Não me olhes como algo enfadonho
pois logo serei mais do que teus olhos podem ver.
Ande comigo pelos caminhos da incerteza
e verás o que não viu o olhar costumeiro.
Verás-te a surpreender a alma com os meus feitos
e a enormidade do meu alcance.
Siga-me ou deixe-me seguir-te,
não importa, nada é importante
quando todos os caminhos são sempre os mesmos
e darão sempre a lugar nenhum.
Mas se seguir-me ou se eu seguir-te
que seja com o coração
e assim teremos a convicção de ter valido a pena.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Hoje voltei a ouvir rock em alto volume.
Nada demais. Apenas uma sequencia de Pink Floyd e Led Zeppelin por uma hora e meia de musica "esguelada". Um sinal de que volto a ser eu. Para quem cresceu ao som de Mamas and the Papas, Beatles, Rolling Stones e depois os progressivos nos anos 70, o rock está no sangue. Andei cabeludo e de calça boca sino muito antes que a rapaziada dos anos 90 copiasse a moda. E posso me gabar de ter vivido uma época sem igual, a qual copiam hoje, ou tentam pelo menos, mas sem chegar à sombra do que aqueles musicos fizeram nos anos do "faça o amor, não faça a guerra".
Portanto, fechei as janelas e portas, escolhi a seleção que melhor condizia com meu espírito sempre rebelde e pau na máquina. Hoje sou o DJ e a festa é so minha. Vou deixar o sangue ferver ouvindo Wish you were here e Welcome to the machine, até os ouvidos cansarem. Hoje sou Gilmour, sou Roger Waters, sou Mick Jagger. Hoje sou eu.
Sabem o que é a felicidade?
A felicidade é ser você na íntegra da tua essência, sem subterfúgios, sem papeis sociais em que você se força a viver a vida de outros. A felicidade é viver o que você tem de melhor, não importando se isso for seu conhecimento e amor pela historia do rock ou algo como comer jiló refogado com cebola, como tira-gosto enquanto degusta uma cerveja.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Diga que não posso ser eu
constante, genuino e mordaz.
A franca palavra lançada no meio da sala.
Serei então fragmentos
impróprios, emprestados de papeis secundários
e o riso falso, a felicidade vivida no palco,
até que meu coração expluda na gaiola
de angustiantes grades de tédio.
Diga então que não posso ser
e outro virá
ao cair da noite, ao amanhecer, quem sabe
como algoz
um outro que não eu
a pisar meus sonhos, a cuspir quimeras em meus dias
a delatar meus prazeres secretos
e violentar a paz monástica dos meus dias anciãos.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Não gosto de postar obras de outros autores aqui, mas numa noite como esta em que me falta palavras pra dizer o que sinto, ninguem melhor e mais autorizado que possa expressar com suas palavras meus sentimentos. Pablo Neruda.  

 

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada

e tiritam, azuis, os astros à distância".

O vento da noite gira pelo céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Eu a quis e por vezes ela também me quis.

Em noites como esta apertei-a em meus braços.

Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela me quis e às vezes eu também a queria.

Como não ter amado seus grandes olhos fixos?

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela.

E cai o verso na alma como o orvalho no trigo.



Que importa se não pôde o meu amor guardá-la?

A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. À distância alguém canta. A distância.

Minha alma se exaspera por havê-la perdido.


A mesma noite faz brancas as mesmas árvores.

Já não somos os mesmos que antes tínhamos sido.

Já não a quero, é certo, porém quanto a queria!

A minha voz no vento ia tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes de meus beijos.

Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos.

Já não a quero, é certo, porém talvez a queira.

Ah, é tão curto o amor, tão demorado o olvido.

Porque em noites como esta a apertei nos meus braços

minha alma se exaspera por havê-la perdido.

Mesmo que seja a última esta dor que me causa

e estes versos os últimos que eu lhe tenha escrito."

sábado, 14 de janeiro de 2012

Os olhos eram duas fogueiras azuis
intensas 
que me diziam da incerteza, do medo
e eu sabia o que poderia haver por trás deles.
O deserto crescente aproximando-se, 
abarcando com sua aridez toda a primavera incipiente,
e nenhuma lágrima
que alimentasse aquelas raízes mal brotadas.
As mãos, tão outrora firmes, poderosas!
enérgicas e suaves a um tempo,
já distantes agora e sem vida que me transmitam.
Fuga inquietante do olhar, desassossego
e a fatalidade inexorável do afastamento
a nos olhar, nos olhar
e sem que pudéssemos evitar...



sábado, 19 de novembro de 2011

      As memórias vinham agora de uma vivência inacreditável, possivelmente em algum tempo paralelo, tal era a incongruência dos fatos.
Estivera um tempo, vivera alguns longos anos ou participara por um período, da vida de uma família estranha. Naquele meio cresceu prisioneiro em seu próprio lar, se pudesse defini-lo como tal. Não interagia com outros meninos da mesma idade, não saía na rua, alem das idas à escola ou ao catecismo. Quase nada sabia do mundo exterior, das malandragens, dos jogos, da malícia que se aprende nas ruas e que, bem ou mal ajuda a formar o carater dos homens. O espaço que lhe era destinado para laser era um quintal cercado de muros, que compartilhava com os irmãos menores. Irmãs também as tinha mas eram seres especiais, sempre ocupadas dentro da casa num grupo coeso de amigas ou clientes da mãe que era costureira, num tagarelar contínuo, entre risos, musica e planos de saídas para os finais de semana. Com exceção de uma delas, que era responsável por toda a lavagem de roupa da casa, os afazeres da cozinha, o banho dos menores e que sofria algumas punições quando atrasava todas essas obrigações.
Pelo critério da casa, os garotos eram pessoas desprezíveis. O único quarto que dividiam era usado como depósito de dejetos da residência, ( sapatos sem uso, roupa suja, livros velhos, utensilhos já imprestáveis que ainda guardavam alguma esperança de conserto), era o quarto da bagunça. Dividiam uma única toalha de banho e a roupa de cama simplesmente não existia. Dormia-se sobre o colchão nu, deformado e manchado pelo uso prolongado. Também não conhecia o uso da escova de dentes. Descobriu isso aos 15 anos quando um colega de escola, no meio de uma discussão qualquer lhe disse na cara que sua boca fedia por ele não escovar os dentes, com a agravante que as moscas voejavam à sua volta atraídas pelo mau cheiro. Ficou paralisado. Nunca tivera uma escova de dentes. Nem tinha noção de que era preciso usa-la diariamente. Haveria mais coisas que não sabia? Coisas que, por lhe faltarem o deixariam mal em relação às pessoas? Suas roupas, como seriam aos olhos dos outros? Seus cabelos seriam ridículos talvez? Talvez por isso aquela colega  de sala, linda, o olhasse com aquele ar de deboche?
Para agravo das suas dúvidas, seu pai chegou um dia e disse que já era hora dele se virar sozinho. Disse que já tinha quase 16 anos e não lhe daria mais sapatos e roupas. Porém, não lhe ensinou a trabalhar. Depois de anos vivendo fechado como um pássaro engaiolado, não saberia, é óbvio, como encontrar um primeiro emprego. Andou com as mesmas roupas, que já eram exíguas, por longo tempo, até vê-las puírem-se e de seus sapatos não restarem praticamente que o couro de cima bem ralado. As solas já não existiam. A planta do pé pisava literalmente o solo. Mas precisava fingir que estava calçado, então andava evitando levantar excessivamente os pés, para que não aparecessem a quem o olhasse de trás.
Viveu assim aquela adolescência ingrata. Foi um rapaz bonito nos verdes anos. Teria amado, teria sido correspondido. 
Um dia, cansado de tudo, uma revolta invadiu sua alma. Percebeu que se não tentasse, jamais sairia dali, da masmorra que era sua vida. Então fugiu da prisão que tinha sido seu único lar.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O céu estava violeta.
Melhor dizendo, o horizonte apresentava uma cor violeta, com uma ligeira faixa de luz esbranquiçada onde começava o céu ou onde terminava o solo no que seria, seguindo a lógica, o nascente, o leste.À medida que se olhava para o oeste, o violeta desaparecia dando lugar à mais completa escuridão. Um manto negro sem o pontilhado de estrelas a que estamos acostumados, em se tratando de noites sem lua e sem nuvens. 
Por algum motivo que não discernia, olhava com apreensão a silhueta de algumas rochas altas de pontas quadradas contrastando com a  estreita faixa de luz clara no fim da paisagem surreal, quando uma neblina vermelha mesclada de ferrugem desceu sobre tudo num caleidoscópio de manchas em espiral, correntes de vapores e erupções de fogo em vermelho tijolo. Não sentia calor, não sentia frio. Era como se fosse o observador e o observado, e não poderia deixar de sentir uma certa indiferença pela sua localização e pelas coisas que presenciava.
Subitamente, a neblina se abriu. O ambiente foi clareando, as espirais se afastaram e viu então que estivera envolto pela calda de um gigantesco cometa vermelho que agora subia em direção à abóbada celeste sem contudo afastar-se. Parecia seguir a esfera onde estava pousado e que agora parecia-lhe ser um pequeno planeta sem vida perdido em algum ponto de vácuo no universo. Veio-lhe o pensamento, numa certeza lúcida, de que teria ido longe demais e agora temia não haver mais volta. O cometa seguia pelo céu negro, imenso, como uma imensa bola em chamas,  e contudo deixando  atrás de si apenas uma pequena cauda, não maior que seu próprio diâmetro. Teve receio de que descesse novamente sobre si e o levasse embora do ponto onde tinha chegado.     
Não sabia de onde viera e nem por que estava ali. Mas havia algo a fazer e tampouco sabia exatamente o quê. Então veio a voz e gritou do espaço: "A luz, entre na luz!", e num átimo de pensamento estava parado no limiar da faixa esbranquiçada do horizonte.
Deu um passo e entrou na luz. O choque foi violento. A extrema luminosidade penetrou pelo seu corpo físico e se viu atravessado por uma corrente de eletricidade branca assustadora. Seus braços levitaram até a frente do rosto e viu dois anéis escuros circundando seus braços pouco acima dos pulsos. Ali a luz era contida. Ficava estagnada nos braços e causavam quase uma dor, um incômodo tremendo, provocando um estado de verdadeira agonia. A voz entrou novamente em ação e disse num tom de urgência:" jogue pulsos de luz nos braços, dissolva os anéis". Imediatamente, ondas de energia branca partiram de sua fronte, envolveram os braços naqueles pontos e os anéis desapareceram.
O que veio depois foi ainda mais assustador. A luz passou a jorrar pelos dedos como se antes tivesse estado contida por uma barragem. Saía em jatos longos e fortes e provocava em sua passagem um tremor incontrolável. Todo seu corpo vibrava e não havia dor. Quase desapareceu em meio ao brilho daquela luz. Teve a impressão de desintegrar-se e o medo o dominou por um instante. Chorou. Quis parar mas era impossível. Então alguém veio e pegou seus braços, dobrou-os sobre seu peito e o deixou assim. Não viu quem foi; estava cego para tudo que não fosse luz e brilho branco. O fluxo energético diminuiu e sentiu-se tranquilizado. Respirou profundamente e deixou-se ficar ali, quieto, em paz, envolto naquela nova realidade.
 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Não quero a distancia interpondo-se,
a saudade entrando sorrateira
pelos meus lençóis e meus sonhos.
Nem essa incompletude do dia,
quando parado à porta, olhar ausente
banhado na dourada luminescência do ocaso
invejo a alegria dos pardais na minha rua.
Quero o abraço gostoso,
teu beijo
teu riso
teu cheiro
e o calor dos teus olhos
pousados em mim.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

       Era uma visão dantesca e antes de tudo, um inferno pessoal.
      O casebre onde morava, ou melhor, onde se escondia das intempéries, não era mais que uma choça de duas peças com um tosco fogão de pedra logo na entrada, num canto um pouco ao fundo, sobre o chão molhado. O teto baixo e a exiguidade da peça, deixava sempre um odor de fumaça produzida por lenha verde que a tudo impregnava mesmo quando não havia madeira para fazer fogo. Nas poucas vezes em que saía, deparava com a visão degradante do que seria uma rua, ladeada de outros casebres miseráveis como o seu, com a madeira enegrecida pela podridão, onde a presença do bolor era palpável.
       A rua propriamente dita não passava de uma viela afundada formando um canal raso onde, em dias de chuva, a lama se misturava aos montes de fezes que as pessoas não se importavam em pisotear no seu vaguear cotidiano, numa vivência sem motivação, sem horizontes, desprovida de porvir.
      Os dias passavam sempre negros, mesmo que o sol por vezes despontasse entre as nuvens baixas que a tudo encobriam. Esse tempo horrível, somado às condições subumanas, tinha um efeito nefasto sobre o seu caráter e sobre o seu humor. Vivia num ambiente opressivo onde eram frequentes as querelas, constantes altercações por um nada, um olhar mal dirigido, uma palavra mal colocada, ou a disputa por uma pouco mais de espaço a que alguém se desse o direito. Entre todos talvez fosse o mais ranzinza, o briguento, sempre a vociferar com as pessoas na sua voz estridente e seu vocabulário repleto de impropérios. Não gostava de ninguém. Desconfiava de todos e usava isso como escudo na luta pela vida. Olhava sempre o semelhante com olhos de azedo ciúme e nutria um ódio secreto por tudo que o rodeava. Passava os dias fechado no seu mísero espaço e quando se via obrigado a sair em busca de alimento e água menos suja para mitigar a sede, era com profundo rancor que olhava seu mundo miserável, nauseabundo e triste.     
     Odiava com especial fervor a lama fétida que o rodeava, a umidade constante que impregnava as roupas, o mau cheiro que a tudo permeava e o frio. O frio penetrante que o perseguia até os recônditos da alma. E sua alma sofria. Enquanto seu ego berrava seus instintos bárbaros, enquanto seu corpo se debatia nessa luta insana e sem trégua; sua alma sofria.
      Porém, nada permanece e nenhum sofrimento é eterno.
   Numa noite como outras quando voltava ao abrigo ziguezagueando na penumbra e evitando contato com aqueles que se aqueciam em fogueiras mortiças, alguém saiu das sombras, uma mão bendita levada a executar um gesto que pensasse talvez, fosse de vingança, mas que não foi mais que um gesto de misericórdia e o esfaqueou no abdome.
     Morreu sem dor, sem resistência, entregando-se ao destino.  Sem rancor, sem desejos.            
      Mergulhado num oceano de alívio.

sábado, 1 de outubro de 2011

Sobre a relva verde, próximo ao espelho do lago,
dia de sol dourado e céu azul;
deitado na grama macia eu ouço,
uma música que a tudo permeia,
a sinfonia univérsica,
enquanto aspiro de olhos fechados
o aroma da folhagem que me rodeia.

domingo, 11 de setembro de 2011

Hay que endurecerse...


Devemos levar a guerra até onde o inimigo a leve: à sua casa, para seus centros de entretenimento; uma guerra total. É necessário para impedi-lo de ter um momento de paz, um momento de tranquilidade fora de seu quartel ou mesmo dentro, é preciso atacá-lo onde quer que seja; fazê-lo sentir-se como um animal encurralado onde quer que ele possa mover-se. Então, sua fibra moral deve começar a declinar. Ele vai ser mais bestial ainda, mas vamos observar como os sinais de decadência começam a aparecer.  (Che Guevara. Mens. ao Tricontinental - 1967)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O mais triste, amor
é essa noção de que todos os poemas que fiz com ardor
só farão sentido no fim,
quando nos últimos minutos da tua vida, lembrar-te de mim,
desejando-me ao teu lado,
me chamando no íntimo do teu coração magoado;
e já terei partido,
triste, enfim no abandono, perdido,
e não poderei te achar
e teu remorso consolar.
Eu já terei partido, amor;
e mais doída do não saber a dor,
se nos veremos novamente e quando,
quantas eras ainda, esperando.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Quando a mente se recusa a pensar
olhando de longe um improvável espetáculo de recordações,
um circo grotesco, o outrora tão íntimo diálogo.
Nada é real, nem o colo da mulher que vem no início da noite
com sua voz macia e enganosa tormenta dos sentidos.
Nem o coração que palpita pelo ondulante quadril e curvas esmeradas,
nem o sonhar , no desejo noturno, até o seguinte embate de volúpia.  
Nada sobrevive, nada permanece, nada revigora no amanhecer seguinte.
Quase nada fica,
quase nada.
Apenas um segredo na madrugada, intimamente resguardado,
tão sofrido, tão querido, tão zelosamente preservado...
do teu rosto...uma lembrança.