Minha foto
Eu me contradigo? Pois bem, eu me contradigo. Sou vasto, contenho multidões. (W.Whitman)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Um minuto a meio da tarde.

Num minuto isolado,
no meio do dia, eu me lembro.
E então me da uma saudade tão profunda,
tão intensa, e ao mesmo tempo tão inócua,
que dura mesmo esse minuto e some
diluída nos afazeres da hora.
O que é a desesperança?
O que é a resignação?
A aceitação da fatalidade?
É como a morte de um ente querido.
Sabemos que não volta mais,
que nunca mais vamos ver
e ainda assim por um tempo talvez longo
talvez bem curto, quem sabe,
ainda mantemos a saudade.
 

Um piano ao crepúsculo.

Caminhando sozinho numa rua silenciosa; inicio de uma noite cálida de verão, meus passos ressoando no calçamento desgastado e limpo e pensando em tantas andanças, tantos caminhos trilhados, imaginando se ainda teria muitos a percorrer ou simplesmente se ja me aproximo do fim, sem contudo me dar conta.
Passando por uma casa de varanda enorme e bem arejada, quase sentindo o aconchego da hora crepuscular em suas cadeiras de metal cromado, de repente um piano... alguem tocava um piano àquela hora magica do dia.
Acordes que voando pelo espaço vieram me abraçar, envolveram-me todo em sons deliciosos, puros, calorosos, quase podia respira-los ali parado, estático, olhando a varanda vazia, e me deixando preencher de sons. 
Eu quase podia vê-los, eram palpáveis, materializados em cores vibrantes, corriam os acordes pelo meu corpo, eletrizantes, eram a mim direcionados.
Não conhecia a melodia, mas era linda, num compasso lento, cada nota ribombava com forte eco em meu peito, os acordes numa harmonia singela e lúcida. 
Desejei conhecer o pianista, ou seria ela? Desejei sentar-me ao seu lado naquele instante, admirar suas mãos passeando pelas teclas, seus dedos finos leves e ligeiros em toques suaves.
Imaginei o sorriso angelical aflorando em seus labios, pois eu estava ali ouvindo enlevado, num instante congelado de felicidade infantil.
De súbito o silencio... silencio mortal caindo sobre a rua e as luzes foram se apagando nos meus olhos, agora olhando a rua nua e sem vida.
Segui meu caminho solitário novamente, mas levando comigo uma alegria calma de quem recebeu um presente secreto de uma pessoa querida.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Chuva fina que bate na minha vidraça,
chuva fina que rola na calçada,
chuva fina e fria que vem do céu imenso e cinza.
Oh! chuva fina e fria que cai como um véu sobre mim
quando tento fugir caminho afora, do que sou hoje.
Chuva fina e fria que me fere, me oprime,
chuva fina que deita lembranças em minh'alma.
Oh! chuva, chuva insistente e triste,
o que queres me dizer com teus fios de seda
dissolvendo-se em meus cabelos caídos
sobre meus olhos úmidos, em disfarçada saudade?
Conta me dela ao menos,
diga-me onde anda,
em que caminhos vagueia sob tua insinuante teia,
conta me dela ao menos, se abriga-se sob um telheiro seguro 
ou como eu percorre ainda uma estrada infinita,
nós dois perdidos,
eternamente desencontrados e sós.
António de Bastos

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Rod Rodrigo Silva
E meus passos vão firmes e seguros, e vou tranquilo,
pois amo a vida e sei que ela me protege, sou seu filho.
Nenhum receio nas horas mais difíceis, pois sei
o caminho mais íngreme leva ao topo da montanha
de onde descortina-se a beleza do vale
e quem sabe, o mais puro pôr-do -sol.
Nessas horas eu me aquieto,
sento e espero a passagem do tempo
e deixo vergastar-me o rosto a fúria das tempestades.
Sempre virá o dia depois, num circulo eterno
de retorno, retorno, retorno
e nesse movimento estarei de volta aos dias de sol,
aos momentos de adoração ao amanhecer
quando cantarei a plenos pulmões minha alegria para o mundo
ou simplesmente usarei algumas horas
assobiando uma cantiga de amor
com um lindo sorriso maroto iluminando meus olhos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009



É so um ar de não sei quê
um vazio quando acordo, uma dor no peito,
a sensação de um infarto iminente.
Uma vontade de me derramar em prantos
como uma criança inocente vilipendiada.
Um vazio imenso a cobrir, quase infinito
onde me sinto irrecuperável, incompetente para reagir
sendo grande demais essa distancia.
E uma saudade que me vem não sei de onde
tanto assim, 
a me deixar em frangalhos
e sem vontade de encarar o dia.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Uma noite envolvente, pesada e quente.
No ar silencioso e parado, nenhum movimento 
que alivie o ardor da pele. 
Passam minutos infindos e letárgicos 
sobre o corpo nu colado aos lençois de seda.fotos-mulheres-Jan-Scholz-02 
Em um momento vem o ruir de castelo de cartas,
deixando à mostra imagens antigas na parede. 
E no ar parado, na fornalha úmida do quarto 
um quadro oscila 
num vai-e-vem de desejo e repulsa 
quando o coração reprime um soluço dolorido, 
meneando a cabeça de lado a lado, 
numa negação.

sábado, 14 de novembro de 2009

Quero amar enquanto tenho saudade,
enquanto meu corpo se lembra
de olhares lançados ao acaso dos encontros fortuitos,
das palavras ditas em sussurros apressados
de passagem num canto da sala.
Enquanto meu corpo ainda pede
um beijo furtivo na cozinha,
quando outros riem no patio,
numa confraternização inocente de fim de semana.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Me encontrando à margem dos fatos,
sentado num canto mais afastado de todos,
medito nas atitudes dos homens que jogam cartas.
Meu relógio de ouro marca o tempo que não vivo,
duas horas sem vida, mais meio tempo de uma morte improvável,
e marcará mais tempo ainda, além do que for do meu desejo.
Horas e horas que contemplo a vida passando à minha frente,
enquanto homens jogam cartas numa mesa de bar.

Fernando Fiqueiredo

Reoriento meus sentidos
e vejo a sentinela que grita um alerta,
a sentinela me diz que o tempo não é meu.
Me sendo dado por empréstimo
não devo joga-lo, como fazem os homens nas cartas,
ele não me pertence.
Mas tenho um relógio dourado
que conta implacável o escoadouro do tempo
e o que já foi esbanjado me será cobrado, é certo.
O que ainda está por vir também me será cobrado,
e somando, o que vem é maior que aquilo que já  passou.
Constato então que tenho uma dívida incomensurável de tempo
impagável
segundo o cálculo inútil das minhas probabilidades.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


São horas caladas essas na sala de espera
mutismo, olhar ansioso aos movimentos do corredor
expectativa, e um não-saber que sentir
um turbilhão de emoções,alguma incredulidade
e o passar das horas caladas nos ponteiros imóveis
e um sem-mãos que afaguem
um sem-voz que acalante
um sem-olhar que assegure
um não-sei-qualquer incongruente
que me vai cansando aos poucos , me exaurindo
enquanto aguardo ansioso a chamada final.















Um campo de tulipas
e ela sorri sorvendo o aroma das flores
correndo por um  momento para alcançar uma outra mais linda.
E eu ali parado, observando seus movimentos,
me inebriando com seus olhos oblíquos
e seu sorriso claro, refrescante, no calor da tarde.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009



Minha vida ja não é real.
Nada mais do que vivo faz parte da realidade.
O mundo real tornou-se sonho, ilusão, fantasmagoria  
da qual eu fujo com tenacidade no dia a dia.
O virtual  é como uma bebida forte que nos alivia o raciocínio 
ou nos leva  à permanente alteração da consciencia, 
de onde não desejamos mais sair.
Assim eu fico onde tudo é agradável e não tenho responsabilidades.
Lindo orbe onde tudo é descartável
até mesmo minha propria personalidade.
E pensar que era só um desejo de ser 
que me aguilhoava a carne.
Sara Sa
Em alguns momentos não sou mais coração.                                          
Então é que percebo o quanto me torno inútil                                        
porque meu corpo não sabe agir sozinho.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Na hora do almoço, contando grãos de feijão no prato,
me transportando de um lugar a outro
meus olhos se levantam em dado momento
vagueando pela folhagem do jardim.
Uma libélula passa ruidosa e sobrevoa uma folha de antúrio,
fica ali um momento, num balanço lateral, e parte veloz
levando meu olhar que a segue na luz do dia,
envolto na quietude da hora.
Voltam meus olhos ao prato à minha frente 
aos feijões agora enrugados e frios.
Depois se movem pelas paredes brancas como a alma
quando a alma deveria ser da mais viva cor.
E digo a mim mesmo inconsolado
Oh! quanto vazio a ser preenchido!

sábado, 24 de outubro de 2009

Este ser que sou eu.
Carne, ossos e protuberâncias;
sentado de pernas cruzadas seguro meu tornozelo,
movimento meu pé e sinto as articulações.
O que sou eu afinal?
Mente que pensa possuir um corpo
ou corpo que pensa?
Meus músculos ja não me garantem a eternidade
que almejei uma dia nos albores da minha juventude,
e no entanto meu coração
sente sempre em descompasso.
Fora de sintonia com o resto, ele insiste sempre
em amar. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ouvidos que não atingiram a capacidade auditiva de um Villa-Lobos,
se restringindo à audição das popularescas obras de Beethoven
e de um Tchaikóvsky costumeiro e bem conhecido da população
dizem de mim o que sou e não o que pretendo ser.
Ando nas rodas dos mercados, entre pedreiros e pintores de paredes
feirantes que gritam as virtudes da mercadoria exposta
ensolaradas manhãs dominicais 
ou nos bares onde se reúnem no final de um dia estafante
a massa operante dos homens que constroem vidas,
que as mantêm, e sem saber ao certo a quê vêm.
Meu coração me segue, como um cãozinho domesticado.
Meus desejos, ele os aceita e vibra em uníssono comigo,
mente o corpo sabendo de antemão o que virá depois.
E ele, que nada sabe das divas,
ama sobretudo estar em casa
ao lado da única mulher que lhe apraz de fato
querida, meiga, sonhadora, amante nas horas maduras da noite
terna mãezinha querida e sorridente
enamorada perene me elevando num altar de deuses
quando eu a envolvo carinhosamente
em raios fulgurantes partindo do meu olhar cativo. 

domingo, 18 de outubro de 2009


A mulher que eu amo tem o frescor das manhãs de maio. 
Ela sorri com a singeleza dos jasmins que florescem no jardim 
e adoro o jeito como ela se porta ao ajeitar a blusa branca 
de rendas e mangas curtas. 
Ela tem o rosto muito enrugado mas amo o brilho dos seus olhos, 
o som da sua voz me acaricia e me acalma, 
me fazendo sorrir com tamanha tranquilidade. 
Ela tem oitenta, cem anos talvez 
mas eu vejo nela a mocinha que um dia acalentou os meus sonhos, 
seu jeitinho deslumbrante de me olhar nos olhos, 
seu modo de falar sem palavras, 
seu caminhar calmo e compassado, seguro e de porte altivo, 
o suspirar quando a abraço com ternura, 
o riso cúmplice quando de manhã soltamos gazes na cama 
ao despertar modorrentos e pesados. 
Choramos na partida de um ente que se foi prematuramente 
ou rimos de comum acordo de uma piada sem graça 
lançada ao acaso no correr do dia. 
Minha companheira é linda e sou grato por ela ser assim 
por tê-la comigo até esses dias incertos 
da minha inoperante ancianidade. 
E a amo nas horas inseguras do final de mais um dia, 
no inicio da noite quando ela me segura com a mão firme 
e me diz com calor na voz: Oh! Estamos bem!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

fotosdez 2008 010          
Eu trilho os caminhos onde me trouxeram meus desejos
meus atos temerários do passado,
a fuga de dores mal suportadas
a imaginação que voava
no entusiasmo de conhecer cada coisa bem de perto.
Nesse momento eu paro e perscruto o horizonte incerto
parado no meio da estrada eu olho atrás, não há volta possível,
muito chão percorrido
e se volta houvesse, para onde?
O ponto de partida perdeu-se no tempo.
Olho à frente, o desconhecido, sempre o desconhecido.
Ainda me arrastarei por esse pó, em infinitas eras
e não conhecerei o caminho que aparece à minha frente.
Desejo me sentar na grama molhada e fresca ainda de orvalho
e percebo que seria por pouco tempo esse descanso possível,
tendo que voltar a caminhar, interminavelmente, incansavelmente,
carregando o pó da estrada na secura dos meus pulmões,
levando nas minhas sandálias de borracha
uma sede jamais saciada.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Anjos são simples
são puros,
confundem-se,
sem malícia se perdem,
se doem por outros.
Ao andrajoso caído
a mão, levanta-te!
vem e anda comigo.
Anjos são calmos
não riem, sorriem,
com ternura nos olham
nos olhos oceanos
de acolhedora doçura.
Anjos são limpos
de maldade ou prazer,
falam de amor,
minimizam a dor.
Anjos elevam
arrastam da torpe
crueza da lama
ao mais infeliz.
Anjos olham com classe
no âmago do ser,
animam as mentes
mostram a luz
aos mais indigentes.
Anjos imploram
por serem
simplesmente
onipresentes.

 

Sempre fui de fazer as coisas que gostava. Sempre fui de lutar pelo que desejava alcançar. Lutei muitas lutas, algumas inglórias mas nunca tive medo de perder como também não lamento minhas perdas porque elas fazem parte da minha historia. As minhas conquistas as compensam com larga vantagem. Nunca tive as melhores chances na vida e por isso me vi obrigado a cria-las por mim mesmo. Sou o que sou porque me fiz quase sozinho. Escolhi meus caminhos e tentei segui-los da melhor forma que me permitiam minhas ferramentas, ou seja, meu cérebro e minha força vital.  Porém, com a idade vamos perdendo o ímpeto que nos dava a energia da juventude, vamos nos endurecendo e o medo, que antes não incomodava, passa a nos rondar todos os dias. Não saltamos mais. Caminhamos lentamente com passos indecisos rumo ao ostracismo, sem perceber que no fim só existe a morte e perdemos um tempo precioso analisando cada gesto, cada palavra, cada pisada no mesmo chão que antes era tão firme. Deveríamos reagir e lutar, mas alguma coisa nos falta, talvez a vontade de continuar. Desejamos o repouso do fim do dia quando ainda nem chegamos ao meio da tarde. Vamos nos entregando ao imperioso desejo de desistir e até chegamos ao absurdo de desejar a morte como saída mais fácil. Não falo de um desejo de suicídio, mas do sentimento que nos domina e nos engana, de que a morte será o descanso almejado. Temos isso em todos nós, desejamos a morte sempre e no entanto quando colocamos isso em nível consciente  nos assustamos. A verdade é que sempre desejamos e até procuramos a morte. Eis aí o paradoxo.

Ha contudo uma outra forma de analisar a fatalidade. Já que vamos mesmo morrer, e ninguém pode evitar seu próprio fim, por que não lutar para ter o que desejamos? Por que não reagir, sacudir a apatia e partir com vigor contra as hostes do desânimo que nos assaltam? É a nossa única opção: LUTAR.

Morrer vamos todos, mais dia menos dia. Então, que morramos lutando pelos nossos sonhos. Pelo menos teremos a chance de realiza-los.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Demônios são belos
são claros, são lúcidos
se mostram pujantes,
se movem com graça.
Demônios são ícones,
se fazem queridos,
volitivos influentes,
domadores cruéis.
Demônios são feras
em vestes de anjo,
deturpam, corrompem,
insensíveis destroem
e passam ao largo
sorrindo da dor.
Demônios são lúcidos
vampiros sangrentos
e seguem caminho
impassíveis na morte.
Na morte do ser
farrapo jogado
amarfanhado e sem vida,
deixando lamento
e somente irrisão.


Lua, lua…

Cristye           
  Lua Crescente no horizonte aberto, sorridente clarão promissor,
jovial semblante, ar inocente de criança peralta,
promete-me o céu noturno salpicado de luzes saltitantes
e persigo teu trajeto como um menino atrás de uma pipa de seda.
Lua Cheia saborosa,
quente, gostosa, imensa solidão que me devora
a olhar-te tão perto e impossível, sonhos em noites de brisa morna
e me esquecendo que haveria futuro,
incertezas esquecidas no momento,
me contento de tua visão hipnótica,
melodiosa canção preenchendo o espaço em torno de mim.
Lua Minguante, sorriso morrendo, tristeza que se insinua em mim,
canções distantes apenas solfejadas na memoria,
lembrança, saudade, melancolia de noites sem cor
e a fuga,
vai-te fugindo céus afora,
entre farrapos nebulosos que já não reconheço
deixando a esperança de rever-te, alimentada sempre
em noites de Lua Nova, escuras e solitárias, na espera do dia.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

noctilucent_clouds_over_saimaa2
A noite se fez branda à beira-mar, silêncio e ruído de passos na areia molhada, onde caminhando vou, levado por um desejo de me entregar à quietude da hora quando águas calmas da maré alta vêm afagar os meus pés numa carícia deliciosa.
Pouco a pouco sossega meu espírito, como bebê cujo embalo vem do mar.
Mar tranquilo, que vejo agora sentado na areia, admirando seus movimentos, ondulações em linhas suaves, uma espuma ou outra, pequena, se formando no refluxo das ondas.
Pequenas ondas que apenas tocam a praia, numa dança lenta, me tocando também onde estou sentado.
Meus ouvidos abarcam as distancias povoadas de murmúrios em casebres de pescadores na hora de dormir.
Não me sinto mais vivente, sou névoa, neblina branca, parte das emanações que sobem da água salgada e pacífica.
Meus olhos se perdem no infinito aquoso. Na noite envolvente, sinto seus movimentos e percebo que tem vida, que sente, que se farta também do mundo exterior. Estamos próximos demais, eu e o mar, nos identificamos um com o outro. Sei que ele tem suas horas de repouso e melancolia, de saudades e de sonhos.
É um corpo que vibra, que ama, e nessas horas ele se mostra o mais terno, singelo amigo.
Me dispo e caminho relaxado em direção às ondas, passo a passo vou entrando no seu corpo líquido, fecho os olhos e recebo seu abraço, envolvente, cálido, energizante. E assim sou levado de um lado ao outro, embalado no mais puro e divino amor das ondas afetuosas  e maternais do oceano noturno.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Manhãzinha ainda, um sonho de cachoeira na mata
água caindo na pedra, e um poço enorme no fim da queda,
água corrente, vibrante sussurrar no silêncio da alvorada.
Eu desço o caminho e meus pés mergulham na margem,
sinto o frio que sobe pelos membros,
quase sinto seu frescor na pele do corpo.
Um trovão soando longínquo
e um dormitar que já não é rio,
não é mata, nem pés descalços na areia.
Desperto preguiçosamente,
alongando felinamente o corpo ainda deitado.
Depois caminho lentamente até a janela semiaberta
e recostado meio de lado
fico a olhar languidamente a cidade, 
melancólica paisagem silenciosa
por trás de uma cortina de chuva
espessa, morna e tremendamente calmante. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Passo meus dias numa paz que me assusta um pouco,
não tinha o hábito da sensação de cada coisa no seu devido lugar.
Tudo está correto,
tudo é encaixado no momento certo, de forma natural,
não me esforço muito para ver o bem estar que isso me provoca.
Lampejos de felicidade passam pelo meu peito e os apanho no ar,
me delicio com eles.
Olho os homens que passam em busca do dia que deve ser ganho,
mulheres se atirando na azáfama do cotidiano do lar,
cães que ladram no portão
quando o carteiro chega com novidades,
o ruído da panela no fogo e o cheiro que ela exala,
um cozido bom, 
o feijão temperado produzindo muita saliva na boca,
o leite quente adoçado com mel,
o café fumegante saindo na hora matinal,
o trabalho que começa a ser interessante
porque se aproxima do seu término,
a sensação da execução satisfatória agradando o cliente.
A segurança de estar em família, junto dos seus a trocar idéias sobre o que realmente interessa para o bem viver em conjunto,
todas as coisas sendo relevantes para o bem estar de todos.
O desejo de fazer o melhor
para que eu me veja sendo útil aos demais.
E essa paz que me coloca por cima do mundo,
eu, senhor dos meus passos olhando à frente no caminho,
olhar altivo, semblante seguro e senhor absoluto do meu destino.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Essência Sentimental, by Guga

Fragmento poético de minha alma
perdida na escuridão de lágrimas
pedindo seu amor que não me socorre
crescente solidão que me domina.
Esperança de um amor solitário
levando meus olhos para o nada
dissipada em pequenos fragmentos,
fragmento poético de minha alma.
Um dia talvez você apareça
pedindo meu amor guardado em meu peito
eu esperarei pacientemente
fragmento poético de minha alma.
Se você precisar estarei por perto
meu pensamento estará sempre em você
se você precisar estarei perto
minha mente andará sempre com você.
Meu coração e minha mente lhe esperam
seja feliz em toda sua caminhada
estando você junto de meu amor ou não
fragmento poético de minha alma.
Se você precisar estarei por perto
meu pensamento estará sempre em você
se você precisar estarei por perto
minha mente andará sempre com você.
...FRAGMENTO POÉTICO DE MINHA ALMA...

( Poema escrito por Gustavo Dutra, meu filho de 15 anos, como uma canção para sua banda “PSALM”, que está nascendo agora.)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Alter ego, leva-me daqui!
Leva-me às campinas floridas
onde o dente-de-leão dissolve-se no ar,
levado pela brisa
das manhãs ensolaradas de Setembro.
Deixa-me la, entre flores do campo,
da-me um cesto e um rústico chapéu de palha
e passarei o dia a colher um caleidoscopio de florzinhas
singelas, inocentes florzinhas
para minha amada, quando ela voltar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Enigma

Não te decifro, não sei quem és,
não vejo da tua face senão os receios infundados
que em mim criastes.
Quando te encaro indagador
vejo cavidades onde estariam teus olhos.
Me sento nu na tua presença
e apenas imagino a resposta sobre a tua existência.
O que és? Quem és? que se me apresenta assim
sem termo, sem definição…
indagadores...
meus olhos perscrutam o negrume que vejo à frente.
Nem um sinal, nenhuma reação que leve ao segredo,
ao todo que apenas vislumbro.
Meu coração se encolhe num lastimar terrível de solidão e medo,
e o silencio me envolve na noite passada na angustia.
Virá a manhã novamente me despertar dos pesares?
Serei eu mais uma vez, eu ao nascer do dia?
Ou devorado pelo teu silencio e para sempre extinto
no esquecimento...?

domingo, 6 de setembro de 2009


Quanto vale um homem?
Qual o preço da integridade,
da autenticidade do carater?
Qual o preço a receber pela honestidade,
a sinceridade no falar,
a firmeza ao olhar sem receio
nos olhos do interlocutor?
Quanto devo pagar pela confiança,
essa jóia rara e delicada e frágil
dedicada à pessoa em tempo integral?
Qual o preço do amor? O amor dedicado, alegre, juvenil, altruísta e são.
Qual o preço da amizade real?
Do abraço amigo e inesperado em horas de solidão?
Quanto devo pagar por isso?
Quanto me cobrariam os traidores para me dar isso que busco com afinco?
Minha moeda é o mesmo que ofereço. Não há valor mensurável maior
e minha oferta é muitas vezes recusada.
Mas não tenho mais que isso a dar em troca
e como Diógenes, ando pelo dia, lanterna em punho
à cata de personalidades oníricas em extinção.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Tenho saudades do tempo das verdades,
quando eu te via querida amante, linda nos meus sonhos,

amada dos momentos tão cheios de carinho,
tão casta, tão divina, deusa em altares de adoração,
querida volúpia em desejos inconspícuos,
infindaveis horas a trocar caricias sonoras no espaço.

Falar é pouco e é tudo,
sonhar com teu corpo

e quase tudo em silencio emotivo

sentir teu desejo, e transplantar o meu em teu corpo

sendo a distancia improvável, presença clara e sensível

meus nervos e pele se desfazendo,
minha mente,
meus orgãos vitais
se diluindo em florações de absoluto êxtase
e meu choro desmedido, meu eu sofrido, meu ar de graça
meu corpo, todo ele em paz e feliz, saciado

tenho saudades do tempo das nossas verdades

que belas, que lindas, que tão divinas, tão simples e reais.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ando por minha rua num dia comum e divago um pouco.
O vizinho sorri cordato,mas sei que ele não sabe de mim,
não conhece meus dissabores nem minhas conquistas,
ou minhas visões de profeta amador.
A mulher na janela não crê numa palavra que digo
e mesmo assim sorri numa cumplicidade inócua.
Minha vida passa pelas vidas deles sem marcas
e saberão um dia que fui
cidadão das sete horas da noite e das madrugadas insones,
das manhãs lavando a calçada ou molhando as plantas no jardim,
dos domingos de pijama largo, olhando a rua sem movimento.
Mas eu, olhando suas vidas sem que o percebam,
vejo que eles me marcam de forma indelével
com seus amores perdidos ou esquecidos por vergonha ou tédio,
seus sonhos descritos em falsos regozijos no portão na tarde de sábado,
e os amo, reconheço-os em mim mesmo
e sem que o saibam, recolho-os ao meu peito e os admiro pelo que são.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Meus sonhos são tudo que tenho,
são o liame que me atém à vida
e sem eles seria vazio, estéril semente sem solo,
desértica imensidão de atos sem razão,

palavras mortas ou mal nascidas se
m raiz.

Virginia Pinhão

Em meus sonhos eu vejo a mulher ao meu lado
e vindo a noite eu me faço senhor das promessas
e a desnudo em meus braços, branca e suave,
deleite de corpos, união de pensamentos e atos,
um querer sem fim, insaciável ânsia de ser tudo,
sempre inacabada, infinita procura da plenitude no caos.
A busca frenética da infinita bondade
a entrega nas mãos que domam e amam a um só tempo
o volver ao seio da maternidade incestuosa
e uma arrebatadora agonia me perpassando os sentidos
numa corrida louca de miríades de fótons enlouquecidos.

Meu dia ideal

Ter você coladinha em mim e falar com vagar de coisas que só o coração compreende.
Sorrir com brilho nos olhos e o sorriso bastar, sem necessidade de palavras.
Ficar assim em silencio, abraçadinho a você por um tempo e depois,..
depois agir como se nada tivesse acontecido, o coração pleno,
preenchido até a borda,
de uma alegria secreta que outras pessoas não poderiam compreender.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Passadas as horas, vão-se dias brancos
e o tempo é um circulo que se repete, repete...
Eu me perco andando à volta
onde tudo é secura e fome não saciada.
Vasculho meus alforjes à cata de sobejos
e nem uma gota de verso que se extraia do nada.
 ojo a lapiz cópia
Meus olhos atentos, ouvidos atentos, coração atento
esperam ...quem quer que venha na chuva
mas a chuva... não chove, quanto tempo se foi?
O tempo não se conta mais,
perde-se a noção das horas,
como num exílio,
exilado da luz
e no entanto... eu a vejo e não a sinto.
Umbral que não transponho,
onde me sento quieto e apenas olho, observo
à espera...

domingo, 16 de agosto de 2009

Ando absorto entre os homens sem alma e observo seus atos,
entre a incompreensão e a surpresa os observo.
Vejo sorrisos tão belos quanto insensíveis e frios olhos implacáveis
sobre um coração que palpita em constante e monótono pulsar
de relógio mecânico.
Não deveria surpreender-me, e contudo sempre me surpreendo
.



sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Me vem uma hora em que penso
pensar muito faz mal
pensar muito esgota minha estrutura já tão frágil
pensar muito me coíbe certas coisas que amo
quero ser inconsequente
quero comer banana muito madura e ingerir algumas bactérias
quero andar sob o sol escaldante sem medo do câncer de pele
quero beber uma cerveja ingrata que vai me dar barriga
e talvez uma dor de cabeça
quero comer fora de hora, quero sexo sem medo, na hora!
quero não pensar no celular que me agride a todo momento
que intromissão!
não quero pensar, pensar muito me cansa, e essas publicidades
que me apontam tudo que é bom pra mim, apartai-vos de mim!
quero andar descalço, quero sentir a terra sob meus pés
quero não comer de manhã
eu como antes de deitar, ou na hora que me apraz
faço xixi de pé e sinto o tremor quando acabo
me da prazer
não quero ninguém me ensinando a pensar
pensar muito faz mal
pensar muito me inibe, não amo
para amar é preciso não pensar
não, não quero pensar!
quero amar!



terça-feira, 11 de agosto de 2009

O ciúme

Veio o assassino
noite adentro
matar os meus filhos.
Nada posso contra ele
e me afasto em silêncio.

Nenhum traço de lucidez no maior dos rancores
nenhum laivo de dor
também nenhuma compaixão.
Minhas perdas congelam meu sangue no olho
e esse ódio que grita dentro de mim
e tenta se livrar a si mesmo,
que ódio é prisão, ciúme é prisão, posse é prisão
querer possuir é prisão.

Não morro no primeiro golpe mas enfraqueço meus membros
talvez eu não sobreviva na primeira noite
ou nem queira saber depois e siga indiferente um caminho já conhecido
mas a luta é inútil, e se me debato é em vão.
Não posso vencer, não há vencedor
só perdas e dores vindas do nada, e sinto uma fadiga imensa nessa hora.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Hiroshima 8:15


Oh! Hiroshima, Hiroshima!
Por que te esquecestes de mim?
Eu pairava sobre teu povo e dormitava em suas esteiras
ao raiar do sol das 8 e 15, aquele dia.
Me surpreendo ainda olhando no passado
eu estava no berço e chorava pelo seio materno,
onde minha mãe? onde? onde os braços protetores?
Onde os homens que usurparam minhas asas
para com outras
metálicas, de duro brilho sobre meus ombros
duros algozes,
virem queimar minha relva no meu jardim
e trucidar minhas papoulas inocentes e úmidas no amanhecer?
Venham homens do poente com vossos encouraçados estúpidos
quero ofertar-lhes o meu perdão!
Oh! Hiroshima! Hiroshima!
Lembra-te de mim ainda!
Lembra-te de mim em todas as pedras calcinadas de teus prédios
de teus muros, da cada calçada
onde ouviram apressados e sem rumo
meus passos
naquele dia.
Lembra-te de mim que ainda procuro aqui o meu jazigo,
meu leito que não me destes, porque ainda vivo eu em ti.


Presságio

Veio o vento soprando coisas novas em meus ouvidos,
segredos e canções,
e trazendo um aroma da serra.
.k&p.
Trouxe consigo um jeito novo para meu sorriso
e cristalizou um novo brilho em meu olhar.
É por isso que meu coração salta na garganta
quando sinto esse vento em meus cabelos
e meus olhos se fecham
numa revolução de sentidos, emoção e fé.
Veio entregar-me, cansado e trôpego,
em redemoinhos maltrapilhos,
um novo sonho, uma nova crença
solevando minhas pálpebras tão áridas
para que eu possa olhar acima e além, e ainda mais alto,
e sorrindo entre lágrimas incrédulas dizer:
- Estou aqui! Meu sonho...eu vou!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Vento do Norte

Se um dia eu estivesse junto ao mar
ouvindo gaivotas e ondas que rebentam em espuma
queria ter você recostada em meu peito
olhar em repouso no horizonte
a respiração suspensa num encantado instante
e que você me olhasse bem nos olhos e apenas dissesse:
- "Meu vento do norte!"
Eu esboçaria um sorriso tremulo
de felicidade contida
e sem mais o que dizer
me entregaria
ao lindo prazer de se olhar em silencio.

domingo, 2 de agosto de 2009

No meu pátio havia uma fonte, e ela era das coisas que eu mais amava. Minha fonte vertia água cristalina que corria cantante entre pedrinhas brancas e findava num lago singelo coalhado de nenúfares brancos que eram um deleite para os meus olhos. Minha fonte era um sonho.
Um dia veio o inverno baixar suas brumas de cinza e chumbo sobre meus tesouros. Meus olhos não viram mais a singeleza do lago e meus ouvidos tornaram-se surdos para o canto das águas que antes corriam pelas pedrinhas brancas. Passou-se um tempo nem curto, nem muito longo, mas suficiente para que meus olhos se habituassem à escuridão da cegueira e meus ouvidos ao silencio da surdez.
Como não há mal eterno, veio também o dia em que de longe vi as brumas se dissiparem. Corri à minha fonte, saudoso do seu canto e da visão do lago de nenúfares brancos. Meus olhos constataram com incredulidade que o impossível havia acontecido: Minha fonte havia secado!
Não chorei a morte da minha fonte. Desviei o olhar. Um momento depois virei as costas e parti em direção às montanhas onde, ao nascer do dia, tinha ouvido um riacho correr entre as pedras, formando corredeiras e cascatas, e meus olhos ansiavam pela paisagem que poderia descortinar la de cima.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

“Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé.”

Et tu viens come si de rien n’était,

fais-moi buillir mon sang

fais-moi rêver de toi dans un instant

au coucher du soleil

et tu pars … comme ça!

Fuis-moi sans un regret,

sans un adieu qui reste comme souvenir.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Quando venho repousar no cair da tarde
meus olhos sonhadores nas sombras que se alongam
entre os raios dourados do ocaso,
ouvindo ao longe murmúrios da vida que se aquieta,
sons de vozes que chegam e partem sem dono,
cães queixosos em quintais incertos e ruas de terra nua;
aspirando a brisa indecisa de um inverno tropical,
meu coração em cadencia branda se aninha no peito,
e um friozinho, um quase arrepio
se insinua pelos meus cabelos e passeia pelos meus poros.
Olho à volta num chamado mudo e percebo
a esperança a caminho, nos braços trazendo você.


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Coração de Safira


Sou pedra rara que guarda seu brilho nas profundezas da terra,
você não pode me encontrar na feira de domingo
entre brócolis, castanhas e flores,
porque sou único e não estou exposto a olhares indiscretos.
Viaje pelo universo e não verás algo próximo, 
sequer semelhante.
Meu poder não está no brilho que reservo com avaro ciúme
está na pureza da gema, perfeita cor e bom quilate
em mãos improprias seria perigo, cobiça, ódio, crimes e guerras.
Sou raridade única e cobiçada,
então me disfarço em andarilho e fujo do burburinho das praças.
Meu segredo carrego pra sempre oculto
e se uma rainha de coração nobre viesse um dia 
a portá-lo ao peito, não sei.
Eu seria radiante estrela cintilante, fogo, raio,
radiação cromática em arco íris
e multidões se curvariam perante sua majestosa altivez.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sergio SimõesEu a sinto na aragem do dia
quando vem repousar o sol
nas montanhas azuis da minha terra.
É só uma saudade que me traz
a passagem do tempo,
nada mais.
Quisera então saber
o porque desse nó na garganta
e essa dor me esmagando o peito.
Uma voz bonita canta ao longe

e uma melancolia me deixa paralisado.
Quieto
deixo que uma lágrima deslizando em meu rosto
vá se esconder entre fios de barba branca.
Sorrio e cumprimento uma mulher que passa,
sem voz, num aceno apenas,
não posso falar.
As montanhas azuis, o sol dourado do entardecer
e essa aragem que me a traz sorrindo
me deixam assim por um momento
sem presente ou futuro com que sonhe,
em todo eu apenas passado,
cravado nos minutos que o relógio não marca mais.

sábado, 18 de julho de 2009

Quando escrevo aqui, escrevo meio sem inspiração, meio sem vontade; forço um pouco a barra, somente pra postar alguma coisa. Não faz diferença, escrevo mesmo é pra mim, gosto de falar do que sinto. Se ninguém me ouve quando quero falar, eu escrevo, e aqui tenho o meio ideal pra isso. Se ninguém lê, não faz diferença, escrevo e pronto, é uma forma de desabafo também e não faço estilo, como escrever de forma que as pessoas venham a gostar. Escrevo como quero, do jeito que me vem à cabeça na hora da inspiração, sem fazer tipo. Este sou eu, é o meu texto, meu poema, meu canal de expressão. Aqui eu ponho minha alma. É bom poder se expressar; seria como gritar em praça publica, onde todo mundo ouve, mas ninguém dá a mínima. Mas eu falei, soltei a minha voz, aqui eu posso gritar, chorar, rir, lamentar, elogiar, lembrar, reviver um fato bom do passado, contar histórias, mentir, e ser bom. Bom com quem me lê, bom com quem me ouve e fazer amizades também, conhecer pessoas com as mesmas afinidades, pessoas que gostam do que escrevo, pessoas que se identificam com o que leem, pessoas que me trazem também algo de bom; então eu descubro que ainda há gente no mundo e isso é reconfortante. Da uma vontade de chorar quando se descobre pessoas assim, mas que estando distantes talvez eu nunca vá ver.

Saudades de vocês a quem nunca vou abraçar.